Uber pode estar cobrando dos motoristas uma porcentagem maior do que a divulgada

Mais uma vez, aplicativos de transportes se envolvem em polêmicas, e desta vez ela envolve os apps da Uber e da Lyft, que podem estar descontando de seus motoristas uma parcela maior do que aquela que é publicamente divulgada.

O site Jalopnik, que fez a descoberta, revela e leva em conta os relatórios de 14.756 tarifas de viagens feitas em várias cidades dos Estados Unidos. As tarifas foram coletadas de duas fontes distintas: do formulário web onde os motoristas podem submeter suas viagens de forma individual, e através de e-mails enviados pelos motoristas, que enviam o relatório de ganhos e descontos pela plataforma durante um determinado período de tempo. Dessa forma, foi feita a análise dos valores de forma separada, ou seja, os valores retirados do formulário foram analisados separadamente do que aqueles enviados pelos motoristas via e-mail.

A análise feita pelo site Jalopnik revela que, em média, a Uber cobrava uma porcentagem de 35% dos motoristas, enquanto a Lyft ficava com 38%. Já a análise dos valores enviados por e-mail apresentou uma ligeira diferença, com a Uber cobrando, em média, 29,6% das viagens, e a Lyft 34,5%.

O prejuízo e o grande problema desse fato é que a Uber afirma publicamente que cobra apenas 25% do preço final de seus motoristas, enquanto as tarifas da Lyft costumam variar entre 25% e 30%. Portanto, independente da fonte do cálculo, é possível ver que ambas as empresas vêm cobrando uma porcentagem maior de seus motoristas nos EUA do que aquela que é divulgada ao público.

Obviamente, o próprio site revela que são apenas dados estatísticos e não pode ser levado como prova oficial de má conduta de tais empresas.

Afinal, o espaço amostral de 14.756 tarifas — e todas de cidades dos Estados Unidos — é praticamente insignificante frente às milhões de viagens que a Uber e a Lyft efetuam diariamente ao redor do mundo. Porém, o caso ajuda a esclarecer e mostrar um problema realmente sério: a falta de transparência das empresas de transporte por aplicativo.

É uma política comum a praticamente todas não fornecer seus resultados fiscais para análises de terceiros, sendo divulgado para o público apenas o resultado das contas feitas pela própria companhia, que se recusa a liberar esses dados para análise por uma parte neutra — ou ao menos publicar um extrato mais detalhado de seus ganhos. Dessa forma, essa recusa das empresas em permitir a existência de análises neutras sobre aquilo que é cobrado de motoristas e passageiros por si só já é algo suspeito, e reportagens como a do Jalopnik ajudam a aumentar o sentimento de desconfiança.

Oficialmente, tanto a Uber quanto a Lyft afirmam que os cálculos da Jalopnyk estão incorretos e não são representativos de todo o negócio das empresas, mas ambas continuam se recusando a liberar uma quantidade significativa de dados de tarifamentos de suas corridas — apenas os números, sem qualquer informação que possa ser usada para identificar o motorista ou o passageiro dessas corridas — para que se possa fazer uma análise correta e isenta.

Segundo Sandeep Vaheesan, diretora jurídica do Open Markets Institute (organização sem fins lucrativos que estudo o monopólio financeiro e a concentração de poder de grandes corporações), o caso de empresas como a Uber e a Lyft é ao mesmo tempo fascinante e aterrador, pois suporta o argumento de que os modelos de negócios dessas empresas estão construídos em cima de uma teia de exploração em larga escala do trabalhador.

Assim, é de grande importância atentar-se a casos como esses, que mostram o quanto é difícil e por muitas vezes, prejudicial ao trabalhador/funcionário da empresa, algumas políticas que não são tão claras ao empreendedor.

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